Ilha de Marajó

Terça 20:52:45
Dezembro 01 2009

Ilha de Marajó

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As mulheres ondulando num mar de folhas
se escondem, fogem, leves, dançam
em honra ao sol, uma dança cômica
imitam macacos, assanhadas suspiram
a mão esquerda pendente,
a direita sobre as costas riem.

Très curumins carregam cestos
cheios de muricí e açaí. Dois passos
e ao segundo passo, na ponta dos pès.

O riso das mulheres, o riso das crianças
os rostos aparecem, desaparecem. A dança reinicia
outras vozes: sons de outros animais, água
ramos se quebram. As mùsicas, instrumento lentos.

Kupaùba abraçada ao boto seguia
na onda do rio o fluxo da corrente ao mar.

Marajó espaços de sol ardente, retorno
estrelas serpentinas, marombas, carapanãs
retorno sempre a lugares remotos, embriaga
o cauim devagarinho, sem fazer mal
viscosa, insípida, resvala na garganta
è dourada a bananeira, mamoeiros
vozes de Marajó, queixas, cochila
parvos gritos de Cacauè, mas onde quer andar
Kupaùba atravessou cinco rios, caminhou
cinco luas, e mil pequenas veredas
para chegar a Marajó, e ver o mar.

Marcia Theophilo

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Source by Marcia_Theophilo

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